Você provavelmente já ouviu falar sobre as cotas nos vestibulares, mas será que elas existem na prova da ETEC? Chegou a hora de entender melhor isso!
Antes de mais nada, é importante saber que, no Brasil, as cotas significam uma quantidade de vagas que ficam reservadas para determinados grupos de pessoas. Sendo assim, as seleções geralmente possuem:
- PPI — vagas que ficam separadas para pessoas pretas, pardas ou indígenas;
- Escolaridade Pública — uma cota de vagas que são apenas para pessoas que estudaram somente em escolas públicas;
- PCD — reserva de vagas para pessoas com deficiência.
Entretanto, a prova da ETEC não possui essas vagas reservadas. Todas as pessoas concorrem juntas, ou seja, a única lista de classificação que existe na ETEC é a de Ampla Concorrência.
Por que a ETEC não possui cotas?
A grande verdade é que, no Vestibulinho ETEC, todas as vagas podem ser disputadas por todas as pessoas. Entretanto, existe algo que auxilia as pessoas que estudaram em escolas públicas ou que são afrodescendentes. Neste caso, esse recurso se chama acréscimo de nota.
Ou seja, a ETEC não tem cotas, mas possui os acréscimos, que servem para que pessoas de determinados grupos tenham uma pontuação extra.
Quais tipos de “cotas” ou “acréscimos de nota” existem na ETEC?
Atualmente, existem dois tipos de acréscimos, que muitas pessoas popularmente chamam de cotas, apesar de não serem a mesma coisa. O primeiro é o de escolaridade pública. Esse acréscimo aumenta em 10% a nota de qualquer pessoa que tenha direito a ele. Porém, vale a pena saber que esse aumento é proporcional ao número de acertos de cada candidato. Por isso, uma pessoa que acertou poucas questões continua tendo pouquíssimas chances de passar na ETEC.
O segundo acréscimo, por sua vez, é o de afrodescendência. Ele aumenta em 3% a nota de pessoas que têm direito a ele. Novamente, esse aumento é proporcional a ele.
Por que existe um acrescimento de escolaridade pública na ETEC?
As pessoas que cursaram o Ensino Fundamental II em escolas públicas muitas vezes enfrentam problemas estruturais, como falta de professores, salas de aula muito cheias, entre outros fatores. Dessa maneira, muitos estudantes sofrem com defasagem de conteúdo — ou seja, não aprendem assuntos que são cobrados na prova.
Naturalmente, é responsabilidade do estudante buscar os conhecimentos necessários para passar em uma prova de seleção. Ainda assim, como forma de minimizar o impacto dessa defasagem, o acréscimo de 10% torna as notas desses candidatos mais justas. Ou seja, um estudante que acertou 30 questões e tem direito a esse acréscimo vai ter 3 pontos a mais (10% de 30), totalizando 33 acertos.
Qual a função do acréscimo de afrodescendência?
Se você prestou atenção às aulas de História durante o Ensino Fundamental, certamente sabe que os povos negros foram escravizados durante séculos. Em seguida, depois da Abolição da Escravatura, houve um longo período para que essas pessoas conseguissem ter acesso aos recursos e direitos básicos que as outras pessoas já tinham.
Por isso, mesmo depois de tanto tempo, as principais instituições brasileiras oferecem cotas ou acréscimos para afrodescendentes. As chances de pelo menos um dos antepassados de um candidato pardo ou negro ter sido uma pessoa escravizada são altas; com isso, as gerações que vieram depois certamente foram prejudicadas, tendo menos acesso à educação.
Dessa maneira, o acréscimo de 3% tem a intenção de reparar esses danos que foram perpetuados por séculos e que, direta ou indiretamente, podem ter impactado os estudos de um candidato que está disputando uma vaga na ETEC.
Quem tem direito a esses acréscimos na ETEC?
O acréscimo de 10% serve para todos os estudantes que cursaram todos os anos do Ensino Fundamental II em escolas públicas, ou seja, o 6º ano, o 7º, o 8º e o 9º. Porém, se você frequentou qualquer período em alguma dessas séries em escola particular, NÃO pode utilizar o acréscimo.
Aliás, tenha em mente que apenas escolas municipais, estaduais e federais são escolas públicas. Então, se você foi bolsista em escola particular, se frequentou escola filantrópica/comunitária financiada por alguma empresa ou se estudou em escolas do Sistema S, como o SESI, por exemplo, também NÃO tem direito ao acréscimo.
Por outro lado, o acréscimo de afrodescendência, que equivale a 3% da nota, serve tanto para estudantes de escolas públicas, quanto para os estudantes de escolas particulares. Neste caso, o pré -requisito é ser uma pessoa afrodescendente, ou seja, é preciso ser uma pessoa parda ou preta (negra) para ter direito a esse benefício.
